
O que é OpenBIM e porque importa na construção
Pontos principais
OpenBIM na construção é uma forma de colaboração com formatos abertos e neutros, como o IFC, que não depende de um único fabricante de software.
Segundo o NBS Digital Construction Report 2025, cerca de sete em cada dez profissionais da construção já utilizam BIM no Reino Unido.
A diferença central face ao BIM fechado é a interoperabilidade: no OpenBIM os dados circulam entre aplicações sem ficarem presos a um formato proprietário.
A buildingSMART International mantém os standards abertos, com o IFC publicado como norma ISO 16739-1.
Aplicar OpenBIM começa por exigir entregas em IFC e seguir a gestão de informação definida na ISO 19650.
OpenBIM na construção é uma abordagem de colaboração que usa formatos de dados abertos e neutros, sobretudo o IFC, para que a informação de um projeto circule entre softwares de fabricantes diferentes. Em vez de prender a equipa a um único programa, mantém os modelos acessíveis a todos os intervenientes ao longo de toda a vida do edifício.
Essa diferença parece técnica, mas tem consequências diretas no orçamento, no prazo e na manutenção futura da obra. Quando os dados ficam fechados num formato proprietário, cada troca entre o arquiteto, o engenheiro de estruturas e o empreiteiro vira uma oportunidade de erro. O OpenBIM procura resolver isso na raiz.
O que é OpenBIM e quais os princípios de colaboração aberta
OpenBIM é a prática de modelação de informação da construção assente em standards abertos, de modo que nenhum interveniente dependa de um fabricante específico para aceder aos dados do projeto. A adoção de BIM já é maioritária: segundo o NBS Digital Construction Report 2025, cerca de 70% dos profissionais da construção no Reino Unido usam BIM (NBS, 2025).
Os princípios são simples de enunciar. A interoperabilidade é o objetivo central. Os standards usados devem ser abertos e neutros. E as trocas de dados precisam de critérios de qualidade independentes, para que cada equipa confie no que recebe.
Na prática, isto significa que um modelo criado numa aplicação pode ser lido, verificado e completado noutra. O dono de obra deixa de ficar refém de licenças e versões de um só programa. É aqui que uma plataforma como a Ubibim entra: ao ler modelos IFC, analisa o desempenho da obra sem obrigar toda a equipa a usar o mesmo software de origem.
Qual a diferença entre BIM fechado e OpenBIM?
A diferença está em quem controla o formato dos dados. No BIM fechado, o modelo vive num formato proprietário de um fabricante, por exemplo um ficheiro que só abre corretamente no programa que o criou. No OpenBIM, o modelo é partilhado em IFC, um formato legível por qualquer aplicação compatível.
Essa escolha tem efeitos de longo prazo. Um edifício tem um ciclo de vida de décadas, mas as versões de software mudam a cada poucos anos. Quando o ativo depende de um formato fechado, o acesso futuro fica ligado à continuidade comercial do fabricante. Com o IFC, o dado permanece acessível porque o formato é público e normalizado.
Há também um efeito de concorrência. O BIM fechado tende a criar dependência de fornecedor, o chamado lock-in. Cada equipa é empurrada para a mesma suite, mesmo quando outra ferramenta resolveria melhor uma tarefa concreta. O OpenBIM devolve essa liberdade de escolha a cada disciplina do projeto.
Vantagens da interoperabilidade entre softwares
A interoperabilidade reduz o retrabalho que nasce das conversões de ficheiros entre disciplinas. Quando arquitetura, estruturas e instalações partilham o mesmo modelo em IFC, deteta-se mais cedo o conflito entre uma viga e uma conduta, antes de chegar ao estaleiro. O ganho é tanto de custo como de prazo.
O mercado está a acompanhar esta lógica. Ainda segundo o NBS Digital Construction Report 2025, 73% dos fabricantes já disponibilizam objetos BIM ou digitais para pelo menos parte dos seus produtos, acima dos 56% registados em 2023. Quanto mais informação nasce já estruturada, mais útil se torna um fluxo aberto.
Para quem gere várias obras ao mesmo tempo, a vantagem é ainda mais clara. Painéis interativos que leem IFC permitem comparar o progresso e a alocação de recursos entre projetos sem importar manualmente cada ficheiro. Se está a avaliar ferramentas de gestão, vale a pena ver o nosso guia de escolha de software de controlo de obras em Portugal antes de decidir.
O papel da buildingSMART e dos standards abertos
A buildingSMART International é a organização sem fins lucrativos que desenvolve e mantém os standards do OpenBIM, incluindo o IFC. Criada em 1994, funciona como a autoridade neutra que garante que o formato não pertence a nenhum fabricante. Essa independência é o que dá credibilidade ao ecossistema aberto.
O IFC está publicado como norma internacional, a ISO 16739-1, descrita na documentação técnica da buildingSMART. Isto significa que não é uma convenção informal, mas um standard reconhecido globalmente. Edifícios, infraestruturas e os seus componentes podem ser descritos de forma consistente, independentemente de quem produziu o modelo.
A normalização está a enraizar-se na forma como as equipas entendem o próprio BIM. O NBS Digital Construction Report 2025 indica que 33% dos profissionais já veem o BIM como algo que segue as normas ISO 19650, face a 20% em 2023. O OpenBIM e a gestão de informação normalizada caminham juntos.
Como aplicar OpenBIM em projetos de edifícios
Aplicar OpenBIM começa no caderno de encargos, não no software. Defina desde o início que as entregas de modelos serão feitas em IFC e que a gestão de informação seguirá a ISO 19650. Essa exigência contratual é o que garante que todas as disciplinas falam a mesma língua de dados.
Depois, estabeleça um fluxo de verificação. Cada modelo entregue deve ser validado contra requisitos de informação acordados, para que a equipa confie no que recebe antes de o integrar. Ferramentas de coordenação baseadas em IFC ajudam a detetar conflitos e a seguir o estado de cada questão em aberto.
Por fim, use os dados abertos para medir o desempenho da obra. É nesta etapa que a Ubibim acrescenta valor: lê os modelos IFC do projeto e transforma-os em painéis em tempo real sobre progresso e alocação de recursos. Comece por aplicar o OpenBIM num projeto piloto, meça o retrabalho evitado e use esse resultado para o alargar aos restantes.
Perguntas frequentes
OpenBIM e BIM são a mesma coisa?
Não. BIM é o processo de modelação e gestão de informação do edifício. OpenBIM é uma forma de praticar esse processo com standards abertos e neutros, como o IFC, para que os dados circulem entre softwares de fabricantes diferentes.
O que é o formato IFC?
O IFC (Industry Foundation Classes) é um formato de dados neutro para descrever edifícios e infraestruturas. É publicado como norma ISO 16739-1 e permite trocar modelos entre aplicações sem perder informação essencial.
Preciso de software específico para trabalhar com OpenBIM?
Não precisa de um fabricante em particular. Basta que as aplicações exportem e importem IFC de forma fiável. A maioria das ferramentas BIM atuais suporta IFC, o que lhe dá liberdade de escolha.
Quem define os standards do OpenBIM?
A buildingSMART International, uma organização sem fins lucrativos que mantém o IFC, o BCF e outros standards abertos. O trabalho está alinhado com normas ISO, o que lhe confere estabilidade a longo prazo.




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