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Interoperabilidade no BIM: evitar silos de informação

Interoperabilidade no BIM: evitar silos de informação

há 11 minutos
6 min de leitura

Pontos principais

  • A má qualidade de dados custou 1,8 biliões de dólares aos empreiteiros a nível mundial em 2020, segundo o estudo Autodesk/FMI.

  • Standards abertos como o IFC permitem trocar modelos entre softwares diferentes sem ficar preso a um único fornecedor.

  • Definir um plano de execução BIM e convenções de nomenclatura logo no arranque evita a maioria dos silos de informação.

  • A interoperabilidade melhora a colaboração entre disciplinas porque todos trabalham sobre a mesma fonte de verdade.

A interoperabilidade BIM é a capacidade de diferentes programas trocarem modelos e dados sem perder informação pelo caminho. Quando falta, cada disciplina fica fechada no seu próprio ficheiro, o que gera versões desatualizadas, conflitos descobertos tarde e muito retrabalho em obra.

Este artigo explica porque os silos de informação são tão caros, como os standards abertos os resolvem e que práticas aplicar para manter os dados do projeto consistentes do início ao fim.

Porque a falta de interoperabilidade custa tempo e dinheiro

A má qualidade de dados custou 1,8 biliões de dólares aos empreiteiros a nível mundial em 2020, segundo um estudo da Autodesk com a FMI que inquiriu 3900 profissionais (Construction Dive, 2021). Grande parte desse prejuízo nasce de informação que não circula bem entre equipas.

Quando cada disciplina guarda os seus dados num formato próprio, a mesma parede acaba modelada três vezes, com medidas ligeiramente diferentes. Alguém tem de reconciliar tudo à mão. Esse trabalho não acrescenta valor e atrasa decisões.

O mesmo estudo aponta que 14% de todo o retrabalho evitável resulta de dados de má qualidade, o que representa cerca de 88 mil milhões de dólares em custos de retrabalho. Trinta por cento dos inquiridos disseram que mais de metade dos seus dados eram maus. Esses números mostram quanto esforço se perde a corrigir aquilo que devia ter chegado correto à fase seguinte.

Além do custo direto, há um custo escondido na confiança. Quando uma equipa já foi surpreendida por dados errados, passa a verificar tudo duas vezes, por precaução. Essa desconfiança abranda o projeto inteiro e consome horas que deviam estar a avançar o trabalho.

A construção é um dos setores menos digitalizados da economia, e a sua produtividade cresce muito mais devagar do que a indústria transformadora. Parte dessa diferença explica-se por processos onde a informação se perde entre fases. Quem queira perceber por onde arrancar pode começar pela digitalização da construção.

Como os standards abertos resolvem o problema

Os standards abertos resolvem os silos ao criar um formato neutro que qualquer software consegue ler e escrever. O principal é o IFC, mantido pela buildingSMART, que funciona como língua comum entre ferramentas de diferentes fabricantes.

Sem um formato comum, trocar um modelo entre dois programas obriga a conversões proprietárias que descartam propriedades pelo caminho. Com o IFC, a geometria e os dados viajam juntos num ficheiro que não pertence a nenhum fornecedor.

Esta é a base do OpenBIM: trabalhar de forma aberta, sem ficar refém de um único ecossistema. O arquiteto pode usar uma ferramenta, o engenheiro de estruturas outra, e ambos partilham o modelo através do mesmo formato. Se o modelo não abrir num só programa, ninguém fica bloqueado.

O IFC também traz previsibilidade a longo prazo. Um ficheiro aberto hoje continuará legível daqui a dez anos, mesmo que o software original deixe de existir. Para o dono de obra, isso significa que o histórico do edifício não desaparece com a licença de um programa. Para entender a estrutura do próprio formato, vale a pena ler o formato IFC explicado.

Trocar dados entre software sem perder informação

Trocar dados sem perdas depende de exportar o IFC com as definições certas e de verificar o que chega do outro lado. O formato transporta geometria e propriedades, mas só inclui aquilo que configurou para exportar.

Antes de enviar um modelo, convém saber que informação a outra disciplina precisa de receber. Depois, define-se o mapeamento de propriedades para que categorias, materiais e identificadores não se percam na conversão. Esta disciplina simples elimina a maior parte das surpresas.

Vale a pena seguir três passos sempre que troca ficheiros:

  • Exporte apenas os elementos e propriedades relevantes para o destinatário.

  • Abra o IFC resultante num visualizador independente e confirme que nada falta.

  • Registe a versão e a data de cada troca, para que todos saibam qual é o modelo atual.

Outro cuidado é combinar a versão do IFC entre todos os intervenientes. Versões diferentes do formato interpretam certas propriedades de maneira distinta, e essa diferença pode criar falhas subtis que só aparecem fases depois. Acordar a versão logo no início evita retrabalho silencioso.

Uma plataforma de análise de projeto como a Ubibim lê diretamente ficheiros IFC e transforma esses dados num painel de desempenho em tempo real. Assim, a informação que circula entre disciplinas também alimenta o controlo da obra, sem exportações manuais repetidas. Em vez de abrir vários programas para perceber o estado do projeto, a equipa consulta um único painel atualizado a partir do modelo.

Boas práticas de gestão da informação do projeto

A melhor prática é decidir as regras de informação antes de modelar, não depois. Um plano de execução BIM claro, combinado com convenções de nomenclatura partilhadas, evita que cada equipa invente o seu próprio sistema.

Comece por definir quem produz o quê, em que formato e em que momento. Esse acordo evita que o mesmo elemento exista com três nomes diferentes em três modelos. Também define o nível de detalhe esperado em cada fase, o que impede modelos pesados e cheios de dados que ninguém vai usar.

Um ambiente comum de dados ajuda a manter uma única fonte de verdade. Em vez de versões espalhadas por e-mails e pastas locais, todos trabalham a partir do mesmo repositório, com estados claros entre rascunho, partilhado e aprovado.

As convenções devem ser documentadas e simples o suficiente para que toda a equipa as siga. Regras complicadas acabam ignoradas sob pressão de prazos. Equipas que coordenam pessoas em estaleiro ganham quando a informação correta chega a quem executa, sem versões antigas a circular em paralelo.

Impacto da interoperabilidade BIM na colaboração entre disciplinas

A interoperabilidade BIM melhora a colaboração porque remove a barreira entre ferramentas e deixa cada disciplina trabalhar sobre a mesma base. Arquitetura, estruturas e instalações deixam de competir com versões divergentes.

Quando o modelo de estruturas e o de instalações partilham o mesmo formato, a deteção de conflitos acontece cedo, no modelo, e não tarde, na obra. Resolver uma colisão no ecrã custa minutos. Resolver a mesma colisão com betão já aplicado custa dias e materiais.

Essa troca fluida também aproxima quem projeta de quem constrói. O responsável de obra consulta a informação sem pedir exportações especiais a cada disciplina. As decisões ficam mais rápidas porque assentam em dados que todos reconhecem.

A colaboração melhora ainda porque a responsabilidade fica clara. Quando cada elemento do modelo tem autor e versão, deixa de haver dúvida sobre quem alterou o quê. Essa rastreabilidade reduz discussões e acelera a aprovação de mudanças, já que todos olham para a mesma origem de dados.

O resultado é menos reuniões a alinhar versões e mais tempo dedicado a resolver problemas reais. Reduzir atritos na informação é uma das formas mais diretas de ganhar produtividade sem contratar mais pessoas.

A interoperabilidade deixou de ser um detalhe técnico para se tornar a espinha dorsal de qualquer projeto que queira acabar dentro do prazo e do orçamento. O próximo passo prático é auditar o seu fluxo atual: identifique onde a informação se perde entre softwares, adote o IFC como formato de troca e defina as convenções de nomenclatura antes de iniciar o próximo modelo.

Perguntas frequentes

O que é a interoperabilidade BIM?

É a capacidade de diferentes programas de BIM trocarem modelos e dados entre si sem perder informação. Assenta em formatos abertos como o IFC, que qualquer software pode ler e escrever.

O IFC resolve todos os problemas de troca de dados?

O IFC resolve a maior parte, ao garantir um formato neutro e legível por qualquer ferramenta. Ainda assim, exige boas práticas de exportação e verificação para que nenhuma propriedade importante se perca no caminho.

Preciso de abandonar o meu software atual para adotar o OpenBIM?

Não. O OpenBIM funciona com as ferramentas que já usa. Basta exportar e importar via IFC e definir convenções comuns, permitindo que cada disciplina continue no programa onde é mais produtiva.

Como é que a interoperabilidade reduz o retrabalho em obra?

Ao manter os dados consistentes entre disciplinas, evita conflitos descobertos tarde. O estudo Autodesk/FMI indica que 14% de todo o retrabalho evitável resulta de dados de má qualidade.

 
 
 

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